O Mercado do Livro Escolar em Portugal

Ao longo dos últimos anos, a instabilidade vivida no sector da Educação proporcionou a emergência de vários assuntos para o topo da agenda educativa. Desses, o tópico “manuais escolares” é dos que tem merecido particular atenção, suscitando discussões nem sempre devidamente ponderadas e enquadradas e sendo objecto de observações e críticas quase nunca justas e nem fundamentadas.

De facto, tornou-se comum ouvir e ler opiniões depreciativas em relação aos manuais escolares, quando não aos próprios editores, assumidas por diferentes entidades e personalidades e sustentadas por inúmeros artigos de imprensa, sob o formato de notícias, reportagens, editoriais e textos de opinião, bem como fóruns radiofónicos e debates televisivos. Contudo, na esmagadora maioria desses casos, aos editores e autores dos manuais não lhes é concedida a oportunidade de apresentarem os seus argumentos e defenderem a qualidade do seu trabalho.

De tudo o que tem sido dito nessas situações, muito pouco ou quase nada corresponde à realidade. As principais críticas direccionadas ao sector do livro escolar – excesso de manuais, fraca qualidade e preços elevados – têm sido feitas com enorme superficialidade, quando não revelando um surpreendente desconhecimento da matéria. Pior só mesmo quando surgem sob a capa da demagogia política e do populismo.

Apesar deste contexto injustificadamente adverso, os editores escolares da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) têm assumido uma postura invariavelmente construtiva, equilibrada e séria, nomeadamente no relacionamento com os diversos parceiros sociais – Governo, associações de professores e de pais, entre outros – conscientes que estão das suas responsabilidades e da qualidade do trabalho que desenvolvem. Um exemplo disso mesmo é a auto-regulação dos preços dos livros escolares, de iniciativa dos editores da APEL, que teve como consequência o quase congelamento dos preços ao longo dos últimos três anos.

Desta forma, acreditamos que a defesa dos nossos interesses constitui em si um contributo para o desenvolvimento estrutural da Educação em Portugal. E isso é tão importante quanto os desafios que se colocam ao sector e que tornam oportuno traçar o panorama do mercado escolar no nosso país com base em dados objectivos e reflectir sobre a nossa realidade, para que, no debate que certamente decorrerá, as decisões tomadas sejam as correctas e as necessárias.

Leia aqui o estudo completo